Mais de 94 mil pessoas entraram em 2025 para o grupo dos que não conseguem pagar as contas em dia
O governo federal vai anunciar as regras do novo programa de renegociação de dívidas, que vem sendo chamado de Desenrola 2.0 e que pode gerar descontos perto de até 90% sobre os débitos dos participantes. O programa vai ter um prazo limitado, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o que deve provocar uma corrida dos inadimplentes para regularizar o CPF negativado. Em março deste ano, o país somou o recorde de 82,8 milhões de brasileiros inadimplentes.
Nesse universo, segundo a Serasa, há 1.079.488 milhão de alagoanos inadimplentes com o pagamento de contas, o que representa aproximadamente 47,32% da população adulta do estado. Desse total, mais de 557 mil têm dívidas bancárias em atraso.
A Fecomércio em Alagoas avalia que a combinação de despesas sazonais de início de ano, inflação e o uso do crédito para consumo sustentou esse alto nível de endividamento e inadimplência no estado.
A federação pontua os detalhes do cenário de inadimplência em Alagoas com as seguintes características:
Dados da Inadimplência: o número de inadimplentes aumentou em relação a 2024, com cerca de 94 mil novos inadimplentes adicionados em 12 meses.
Perfil das Dívidas: o cartão de crédito lidera como a principal fonte de pendências, seguido por empréstimos pessoais e cheque especial.
Situação na Capital (Maceió): em março de 2026, a pesquisa Fecomércio indicou que, embora o endividamento seja alto, a inadimplência na capital atingiu 29,80%, com quase 104 mil famílias com contas atrasadas e mais de 29 mil sem condições de pagar.
Mais Pobreza: a situação é crítica entre as famílias de baixa renda, onde o atraso nos pagamentos é mais frequente.
Foco do Desenrola 2.0
O foco principal do Desenrola 2.0 será as pendências com cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia. Essas são as dívidas mais difíceis de quitar, especialmente para as famílias que vivem com salário médio e não conseguem sair do ciclo de atualização da dívida.
A pesquisa publicada pelo Banco Central na última segunda-feira, 26, revela que o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 49,9% em fevereiro, o que representa o maior nível da série histórica, igualando o pico do mês de julho de 2022. Ao subtrair as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,3% em janeiro para 31,4% no mês seguinte.
Porém, o comprometimento da renda das famílias brasileiras vai além dos compromissos junto ao Sistema Financeiro Nacional. Em adição ao pagamento de amortização e de juros relativos às operações de empréstimo e financiamentos obtidos com instituições financeiras, as pessoas têm compromissos com de serviços de utilidade pública (como energia elétrica, fornecimento de água e esgoto), seguros, comunicação e streaming, aluguel, educação ou boletos diversos.
Tais despesas absorvem parcela recorrente da renda, concorrendo com o pagamento do serviço das dívidas financeiras.
De acordo com o ministro da Fazenda, o objetivo do governo é que o programa já entre em vigor após o anúncio oficial do presidente Lula e deve durar cerca de 30 dias. Vale lembrar que os descontos de até 90% das dívidas tendem a ser financiadas com aporte de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional. A quantia também deve proteger os bancos dos calotes dos clientes que renegociarem a dívida.
Uma década de endividamento
O mapeamento de 10 anos da Serasa evidencia as dificuldades que o consumidor enfrenta no Brasil, apontando para um cenário de endividamento crônico. Um reflexo claro dessa dificuldade é a taxa de reincidência: 42% dos brasileiros que estão inadimplentes hoje, em 2026, já estavam enfrentando restrições no nome em 2016.
Entre as medidas pontuais já anunciadas para minimizar o problema da saúde financeira dos brasileiros está o uso dos recursos do FGTS pelos trabalhadores para quitação das dívidas. Em resumo, já foi dito que o Desenrola 2.0 terá as seguintes ações:
– A primeira fase do Desenrola 2.0 será direcionada para as pessoas físicas. Em uma segunda fase, o programa vai focar em microempreendedores individuais e em pequenas empresas.
– O programa será para pessoas com até cinco salários mínimos;
– Serão renegociadas dívidas bancárias de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com mais de três meses de atraso;
– Empréstimos consignados e imobiliários não fazem parte do programa;
– Os juros do refinanciamento devem ficar abaixo de 2% ao mês;
– As dívidas, incluindo os juros, devem receber um desconto de 20% a 90%;
– Será possível usar até 20% do FGTS para quitar dívidas.
Desenrola Brasil 2023
Em 2023, o Desenrola Brasil beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas, reduzindo a inadimplência entre a população que mais precisava. O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O governo informou que para cada R$ 1 investido no Desenrola, foram negociados R$ 25 em dívidas atrasadas, beneficiando também mais de 600 credores com o recebimento de valores que, em muitos casos, já davam como perdidos.
Em Alagoas, mais de 20 mil pessoas renegociaram na Faixa 1 (renda até dois salários mínimos) do Desenrola Brasil, encerrado em 2024. Os débitos somavam mais de R$ 110,7 milhões. Após os ajustes oferecidos pelos descontos, o total devido caiu para R$ 13,8 milhões. Desses, R$ 2,3 milhões foram quitados à vista e R$ 11,4 milhões reorganizados de forma parcelada.
Maceió estava entre as 30 cidades com maior volume de negociações no Brasil. Na capital alagoana, mais de 9,6 mil pessoas se beneficiaram do programa, em um volume de R$ 6,2 milhões negociados em mais de 21,2 mil contratos.








