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Carlos Lupi deixa Ministério da Previdência após escândalo da fraude no INSS

O escândalo da fraude no INSS derrubou na sexta-feira (2) o ministro da Previdência, Carlos Lupi. Nove dias depois da operação da Polícia Federal, Lupi entregou o cargo ao presidente Lula.

Reunião no palácio

Carlos Lupi foi convocado para uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula. A conversa selou o que já se dava como certo em Brasília. A situação de Lupi se tornou insustentável ao longo desta semana. O governo esperou que Lupi tomasse providências duras e rápidas para enfrentar as denúncias de fraude no INSS.

Na contramão

Mas desde o primeiro momento em que o esquema veio a público, Lupi adotou posições que geraram ainda mais desgaste para o governo. Primeiro, Lupi elogiou a gestão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, filiado ao PDT, indicação dele para assumir o instituto, chamou a gestão de seu indicado de “exemplar!”. E depois, tentou protegê-lo. Lula teve que mandar demitir Stefanutto.

Número 2

O substituto de Lupi será o atual secretário-executivo do Ministério da Previdência, o número dois da pasta, Wolney Queiroz. Segundo a ata do Conselho Nacional de Previdência Social, Wolney participou da reunião de junho de 2023 em que Lupi foi alertado sobre os indícios de fraudes no INSS.

Wolney tem 52 anos. Filiado ao PDT em 1992, foi eleito seis vezes como deputado federal por Pernambuco. Ele foi líder do partido na Câmara e também líder da oposição durante o governo Bolsonaro. Atualmente, está sem mandato. No fim desta sexta-feira (2), Wolney tomou posse como ministro.

Operação Sem desconto!

Na quarta-feira (23), uma operação da Polícia Federal e da CGU – Controladoria-Geral da União trouxe à tona um esquema de descontos indevidos de mensalidades para associações e outras entidades. Os primeiros alertas chegaram a Lupi em junho de 2023. Mas as medidas de apuração só começaram quase um ano depois, quando a CGU já havia aberto auditoria, como revelou o Jornal Nacional no sábado (26). Lupi admitiu que houve demora para agir, mas disse que não houve omissão por parte dele

Adeus

Oficialmente, Carlos Lupi pediu demissão. Mas a saída dele já estava decidida pelo presidente Lula. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, vinha tratando do caso com o PDT, que faz parte da base do governo no Congresso.

Assim que deixou o Palácio do Planalto, Carlos Lupi divulgou uma carta em uma rede social. Disse que tomou a decisão com a certeza de que seu nome não foi citado em nenhum momento nas investigações em curso; que apoiou todas as apurações desde o início; e que vai continuar acompanhando e colaborando com o governo para que, ao final, todo e qualquer recurso que tenha sido desviado do caminho dos beneficiários seja devolvido integralmente.

De volta a cena…

Lupi assumiu a presidência nacional do PDT em 2004, após a morte de Leonel Brizola. Estava licenciado da função desde o início de 2024, quando assumiu o Ministério da Previdência.

Lupi foi ministro do Trabalho no segundo governo Lula e no governo Dilma.

Em 2009 foi investigado por suposta vantagem indevida ao viajar em um avião particular bancado por um empresário que teria sido beneficiado em contratos com o ministério. O caso foi arquivado pelo STF.

Em 2011, surgiram acusações sobre um suposto esquema de cobrança de propinas junto a ONGs que tinham convênios com o Ministério do Trabalho. Lupi pediu demissão após as acusações.

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